Fulano tinha um site bonito. Moderno, responsivo, cheio de palavras que ele ouviu em um curso de "Marketing Digital de Alta Performance", tinha até um storytelling e um vídeo institucional com drone sobrevoando a fachada da empresa, coisa fina. O problema é que ninguém pedia orçamento. Ninguém.
O Google Ads rodava, o Instagram postava, o tráfego existia. Mas os relatórios do CRM pareciam um deserto de leads. Fulano, como todo empresário cansado de investir e não ver retorno, decretou: "Marketing digital não funciona", "Site dá retorno", "Droga de vídeo caro que não serviu pra nada".
A sorte do Fulano que ainda existem clientes chatos, que falam e reclamam. E um desses clientes, foi incisivo já no assunto do e-mail: Você quer vender ou fazer um interrogatório??
Olá,
Tentei entrar em contato com vocês pelo site, mas aparentemente preciso passar por uma sabatina antes. Me pediram CNPJ, cargo, telefone fixo (quem ainda usa telefone fixo?), número de funcionários, CEP e até telefone de alguém para indicar a empresa — tudo isso antes de eu poder pedir um simples orçamento.
Então me diga: vocês querem vender ou fazer um interrogatório?
Eu cheguei interessado, pronto pra comprar, preciso do produto e não vou desistir. Mas a sensação é que o formulário está me testando, como se eu tivesse que provar que mereço ser cliente. E se eu fosse só um curioso? Um potencial comprador de amanhã? Um parceiro em busca de conversa? PERDERIAM A OPORTUNIDADE!!
Sugestão sincera: conversem primeiro, filtrem depois. Cada campo a mais é um cliente a menos.
Não precisou muito para Fulano perceber seu erro: o formulário de contato. Era, realmente, uma espécie de vestibular corporativo com 15 campos obrigatórios. Nome completo, CNPJ, telefone fixo, telefone celular, telefone whatsapp, e-mail, cargo na empresa, CEP, número de funcionários, site da empresa, área de atuação, cidade, estado, faturamento médio mensal, telefone de alguém para indicar nossa empresa e uma pergunta final digna de um inquérito: "Descreva o motivo do contato em até 500 caracteres."
A experiência era tão hostil que dava vontade de pedir desculpa ao botão "Enviar". Fulano se pôs no lugar do seu potencial cliente e começou a preencher. No terceiro campo, já sentiu que precisava de um café. No quinto, começou a questionar suas escolhas de vida. No décimo, desistiu.
E foi aí que ficou claro que o problema de não ter retorno do seu investimento era o atrito, não o marketing digital. O cliente chegava quente, curioso, pronto pra falar, mas o site jogava um balde de água fria, tratando ele como um suspeito. Em vez de abrir a porta, pedia documento, comprovante de residência e três referências comerciais.
Enquanto isso, o concorrente, aquele que Fulano dizia "nem faz marketing direito", tinha um formulário simples: nome, e-mail e mensagem. Adivinha quem estava recebendo todos os leads da região?
A confusão clássica
Empresários como Fulano acreditam que quanto mais dados o site pedir, mais qualificado o lead. Mas o que realmente acontece é o oposto: quanto mais perguntas, mais desistências. Não é triagem, é autossabotagem.
O formulário não deve ser um filtro, deve ser um convite. E um convite começa com "fale comigo", não com "preencha aqui seu número de funcionários".
A lógica é simples, mas implacável: Cada campo extra é uma barreira > Cada segundo de dúvida é uma chance a menos de conversão > A internet é impaciente, quem não simplifica, fica falando sozinho.
O desfecho do interrogatório
Consultando um especialista em internet, a proposta foi reduzir o formulário para quatro campos essenciais, nome, e-mail, telefone whatsapp e uma breve mensagem. Sendo obrigatório preencher um dos dois, ou telefone ou e-mail.
Fulano torceu o nariz. "Mas e se for alguém só curioso? E se não for um cliente sério?". O especialista explicou que melhor atender um curisoso do que não atender ninguém.
Após o envio do e-mail, com as poucas informações coletadas, era posível possível desenvolver um fluxo de automação simples, com inteligência artificial, respondendo a mensagem inicial e sugerindo a continuidade do atendimento. Um investimento que se justificaria se o número de curiosos realmente atrapalhasse.
Ele aceitou, com ceticismo. Em uma semana, o número de contatos começou a subir e as vendas também. Nenhum ajuste de verba, nenhum ajuste na campanha, nenhuma mágica de SEO. Só menos burocracia.
🧠 O que aprendemos com isso
- Formulário é ferramenta de captura, não de triagem. Você quer abrir conversas, não fazer entrevista de emprego. Depois do primeiro contato é possível esquentar o lead e fazer triagens.
- Pergunte só o essencial. Hoje em dia não é preciso pegar o telefone e sair ligando para todo mundo, existem alternativas inteligentes usando IA. Tudo que você precisa na primeira interação é um canal para responder, o resto vem no diálogo com o comercial ou com o agente inteligente.
- Simplificar é lucrativo. Cada campo a menos é uma barreira a menos. Cada segundo economizado é uma conversão a mais. Quem quer vender, facilita. Quem quer controlar, afasta.



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